A Expedição

Percorrendo sete países em dois continentes, a Expedição Todo Terreno Peugeot 3008 Lisboa-Dakar-Bissau é simultaneamente uma aventura, um desafio e uma homenagem. Serão pelo menos seis semanas de viagem, ao longo das quais o Peugeot 3008 que levamos deverá percorrer perto de 15 milhares de quilómetros!

Aventura

Porque percorrer África e atravessar o deserto do Sahara será sempre isso mesmo. Nunca sabemos se iremos encontrar ventos fortes, tempestades de areia ou temperaturas extremas, acima dos 50 graus centígrados. E nas pistas da África Negra, onde o asfalto ainda não chegou, não há meio termo: lama, na época das chuvas, ou buracos que parecem crateras, na estação seca.

Desafio

Porque partir para uma viagem destas em solitário, sem o apoio de outro veículo, já o é em si. O desafio torna-se ainda maior quando optamos por um modelo absolutamente de série e com tracção simples, tendo como único equipamento uma pá e um compressor de ar para encher os pneus, sempre que for necessário baixar a pressão para enfrentar pistas de areia…

Homenagem

Porque esta expedição recorda as raízes do “Dakar” que, mesmo sem ter sido o precursor dos grandes ralis de todo terreno, foi o que adquiriu maior dimensão e notoriedade, contribuindo decisivamente para despertar o interesse pelas grandes aventuras em todo terreno.

O Percurso

O ponto alto da expedição será, simbolicamente, a chegada a Dakar, que durante quase três décadas foi o local de chegada do rali que se tornou célebre pelo nome da capital do Senegal. Os últimos ralis desenrolados nesta rota africana foram disputados entre Lisboa e Dakar, por um itinerário que em muitos pontos coincide com o da Expedição Todo Terreno Peugeot 3008 Lisboa-Dakar-Bissau.

Não iremos ao coração do Sahara, pois essas paragens no interior do deserto não são hoje de visita recomendável, por motivos de segurança. Mas atravessaremos o grande deserto por duas vezes e nem sempre pela estrada costeira que é hoje a única ligação terrestre, norte-sul, aberta à circulação em África.

Acedemos a Marrocos, a nossa porta de entrada em África, pelo ponto mais a norte do continente, a cidade de Tânger, depois de termos deixado a Europa pelo local que se encontra mais a sul, a vila de Tarifa, também famosa pelos seus ventos permanentes, que fazem dela um paraíso para os praticantes de kitesurf e para as companhias que exploram torres de energia eólica; são tantas as que estão implementadas nos cerros dos arredores de Tarifa, que até se vêm desde África…

Das regiões fortemente agrícolas do norte à vastidão do deserto no sul, Marrocos irá ocupar a primeira semana da expedição. Na segunda, já andaremos pela Mauritânia e ao chegar ao sul deste país deixaremos para trás o deserto, entrando no Sahel, a região “tampão” entre o Sahara e a África Negra, que alcançaremos definitivamente ao atingirmos Dakar.

Edificada na península do Cabo Verde, onde se situa o ponto mais ocidental de África, Dakar terá direito a duas visitas: uma primeira ainda na fase inicial da expedição, outra já na fase final, no regresso da visita à Gâmbia, o país mais pequeno de África, e à Guiné-Bissau, por onde iremos permanecer algum tempo, para redescobrirmos tranquilamente a nação que Amílcar Cabral tornou independente, antes mesmo de formalmente se ter desligado de Portugal, a potência colonial desde que em 1446 as primeiras caravelas se aventuraram por este território, imensamente recortado por rios e braços de mar.

O caminho de regresso a Lisboa apenas repetirá o percorrido no sentido norte-sul nas etapas do Sahara, pois existe apenas uma via aberta ao trânsito. De resto, a Expedição Todo Terreno Peugeot 3008 Lisboa-Dakar-Bissau irá desviar-se sistematicamente da costa, até descermos as montanhas do Rif para regressar a Tânger.

A travessia final do Mediterrâneo, novamente até Tarifa, anunciará o termo da expedição, pois ao entrarmos no porto do sul de Espanha somente faltarão cerca de 700 quilómetros para voltarmos a Lisboa…

Ver percurso completo no mapa
Portugal - Lisboa

Portugal

Lisboa | Faro

De Lisboa além Tejo até ao Algarve
O ponto de partida desta grande expedição é a sede do Automóvel Club de Portugal, no centro de Lisboa. Atravessamos o Tejo logo nos primeiros quilómetros e, em três horas, estaremos a cruzar a ponte internacional sobre o rio Guadiana, junto a Vila Real de Santo António, deixando Portugal pelo canto sudeste do Algarve.

Espanha - Sevilha

Espanha

Sevilha | Tarifa

Através da Andaluzia ao encontro da ponta sul da Europa
A passagem por Espanha resume-se a algumas horas, não mais de umas quatro, que bastam para atravessar a Andaluzia até à vila de Tarifa, implantada na ponta sul da Europa e de onde se avista uma paisagem marcante, espreitando África onde o Mediterrâneo se encontra com o Atlântico.

Marrocos - Essauira

Marrocos

Tanger | Rabat | Casablanca | Midelt | Erfoud | Mahmid | Guelmine | Sidi Ifni | Tantan | Tarfaya | Laayoune | Dakhla

A “porta de entrada” em África
A capital mais próxima de Lisboa é Rabat, no Reino de Marrocos. Por lá passaremos no segundo dia da expedição, que percorrerá neste país por rotas distintas, seguindo junto à costa atlântica rumo a sul e pelo interior, no regresso, depois de cruzarmos pela 15ª vez o deserto do Sahara.

Mauritânia - Sahara

República Islâmica da Mauritânia

Nouadhibou | Nouakshott | Atar | Chingueti | Ouadane | Rosso | Diama

Do coração do Sahara até ao Sahel
No extremo ocidental do Sahara, a Mauritânia é sinónimo de deserto, de uma ponta a outra. A sua fronteira com Marrocos representa a única passagem terrestre norte-sul que permite atravessar África. Nas últimas edições do Rali Dakar, foi na Mauritânia que se viveram as etapas mais difíceis. E para esta expedição, enfrentar algumas pistas de areia neste país será um dos maiores desafios!

Senegal - Dakar

Senegal

Saint-Louis | Thies | Dakar | Kaolack | Ziguinchor | Cap Skirring | Kolda | Velingara | Tambacunda

Rever Dakar dez anos depois do último Rali Dakar africano
Quando chegamos ao Senegal, a paisagem muda radicalmente. Os tons amarelados do deserto dão lugar ao verde, que se vai tornando cada vez mais forte quando mais rolamos para sul. A cidade de Dakar situa-se na ponta da península do Cabo Verde, assim chamado precisamente por ser esta a cor dominante, quando avistado do mar, como viram os primeiros navegadores portugueses, em 1444.

Gâmbia - Barra

República Islâmica da Gâmbia

Barra | Banjul | Jiboro | Farafenni

O “Reino do Amendoim” no mais pequeno país de África
A Gâmbia é o mais pequeno de todos os países africanos, com uma área que equivale à região metropolitana de Lisboa e ao Ribatejo. Implantada ao longo das margens do rio Gâmbia, com 320 km de comprimento, esta antiga colónia britânica não tem mais de 50 km de largura e a sua economia tem na produção de amendoins a principal receita. Depois de décadas de ditadura, acaba de entrar num processo de democracia e abertura…

Guiné-Bissau - Cacheu

Guiné-Bissau

São Domingos | Ingoré | Safim | Bissau | Quinhámel | Ondame | Cacheu | Bassora | Mansaba | Farin

Objectivo final e ponto de retorno
A chegada à Guiné-Bissau será bastante mais do que o termo da primeira fase da expedição. Será o regresso ao convívio com a língua portuguesa, onde contamos passar um par de semanas a descobrir os segredos de um país-irmão que finalmente começa a abrir-se ao turismo, oferecendo lugares de encanto, que a seu tempo poderão fazer da Guiné-Bissau uma referência nesta matéria. Para a expedição, as duras pistas de terra vão constituir novo desafio!


Alexandre Correia

Quando regressar a Lisboa, um mês e meio depois de partir, Alexandre Correia terá atravessado o Sahara pela 15ª vez.

Conhece profundamente grande parte dos cenários do Rali Dakar ao longo da história, seja em África, seja já na América do Sul, para onde a competição se transferiu em 2009. Até por isso, cruzou mais de uma dúzia de vezes o Sahara e mesmo sem GPS orienta-se no trânsito de Dakar ou das grandes avenidas de Buenos Aires, cidades que já visitou mais de uma dezena de vezes. Viajou por praticamente todos os países europeus, dos maiores aos mais pequenos. Mas o que para si mais conta são os países distantes, onde já preparou e organizou dezenas de expedições.

O seu “conta-quilómetros” já ultrapassou um milhão, rodados essencialmente por estradas e caminhos onde quase nunca passa ninguém, como os desertos, em todos os quadrantes do globo, mas também por selvas e regiões montanhosas, na maioria dos casos sem estradas pavimentadas. Visitou por nove vezes as Filipinas, onde percorreu mais de 20 mil quilómetros por caminhos remotos nas montanhas de Luzon, tantos quantos cumpriu no mítico Triângulo Dourado, no norte da Tailândia, em meia dúzia de viagens, mas é em África e nas Américas que soma mais países visitados e distâncias cumpridas.

Peugeot 3008

O Peugeot 3008 que vamos conduzir é um modelo rigorosamente de série, sem qualquer preparação específica, em que a única alteração foi a troca de pneus, mudando os de asfalto com que é fornecido em Portugal por uns pneus mistos, mais robustos e próprios para enfrentar estradas e pistas com pisos duros.

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