Sainz na lama
Carlos Sainz merece assinar a última vitória da Peugeot, mas a sua reputação é posta em causa por um processo muito pouco transparente…

O RALI DAKAR ATIRADO À LAMA

In Desporto by Alexandre CorreiaDeixe um comentário

Sem surpresa, o Rali Dakar deixou a Bolivia com uma longa ligação, não cronometrada, que substituiu a nona etapa, anulada devido ao meu tempo. Mas não é só nas pistas sul-americanas que vemos o Rali Dakar atirado à lama. Também os bastidores da maratona estão sujos, agora por um protesto polémico que já contaminou o domínio da Peugeot. Sainz está determinado em vencer, mas não se livra de sair ensombrado por um castigo. Que a marca francesa já contestou e ameaça levar até às últimas consequências…

Hoje foi uma jornada em que o Peugeot 3008 de Stéphane Peterhansel esteve em evidência. O recordista de vitórias no Rali Dakar dominou em absoluto a décima etapa, ganhando mais de 29 minutos à Toyota de Nasser Al-Attiyah. O piloto do Qatar tinha subido ao segundo lugar graças ao atraso anterior de Peterhansel, que na sétima etapa arrancou o eixo traseiro. Para se desviar de um quad que seguia à sua frente, Peterhansel saiu da pista e não viu uma grande pedra, que destruiu a suspensão traseira do 3008.

Seguiu-se uma notável exibição da excelente preparação dos pilotos da Peugeot, bem como da concepção do 3008 DKR Maxi. Peterhansel desmontou a suspensão do carro de Cyril Despres, de modo a minimizar o tempo perdido. Com isso, cedeu a liderança a Carlos Sainz, mas foi também ultrapassado pela Toyota de Al-Attiyah. E a corrida ganhou um novo ânimo, pelo nervosismo que começou a crescer no seio da equipa Peugeot.

O excelente desempenho de Peterhansel nesta jornada permitiu-lhe recuperar desde já o segundo posto. E não só Sainz fica agora mais à vontade, como Bruno Famin, o director da equipa Peugeot, já não tem motivos de preocupação. O espanhol dispõe agora 1h12m46s de avanço sobre Al-Attiyah. Este, por sua vez, atrasou-se 22m11s relativamente a Peterhansel. É certo que a corrida ainda não terminou, mas pelo menos tudo voltou a ficar mais sossegado entre o pessoal da Peugeot…

Ou talvez não? Porque entretanto aconteceu um golpe de teatro, que desviou as atenções para os bastidores. E atira um monte de lama para Carlos Sainz. Em causa está a conduta do espanhol, acusado por um piloto dos quads, um holandês, de quase ter sido atropelado pelo Peugeot do espanhol. Que nem sequer parou depois para o ajudar.

Na verdade, nem Sainz atropelou ninguém, nem o holandês que o acusou necessitava de qualquer tipo de cuidados, que requeressem a paragem do comandante. A menos que um valente susto, provável, o tenha deixado a precisar de consolo.

Talvez um abraço do nosso Presidente da República Portuguesa tivesse sido apaziguador e, sobretudo, reconfortante nesse momento. Mas agora, quem precisa de afectos como os que Marcelo Rebelo de Sousa distribui tão generosamente é Carlos Sainz. Porque o seu desempenho fica desde já manchado por uma acusação feia: não prestar auxílio a um adversário em apuros, depois de o ter vitimado por um acto de condução perigosa.

Bem que o piloto e a Peugeot contestaram a validade da queixa, que se reporta a um incidente supostamente ocorrido na sétima etapa; mas que levou algum tempo a ser denunciado. O próprio Sainz declarou que rolava tão depressa quando ultrapassou esse quad, que se tivesse tocado nele, provavelmente o piloto não teria sobrevivido ao impacto.

E embora os dados registados pelo GPS de cada concorrente confirmassem tudo isto, o Colégio de Comissários Desportivos acabou por julgar a queixa válida. Sainz foi castigado com uma penalização de 10 minutos.

Volvida esta décima etapa, em que Sainz foi o terceiro mais rápido, Nasser Al-Attiyah parece ter ficado ainda mais distante da discussão da vitória. E a diferença entre os dois primeiros é tão grande, por enquanto, que nem sequer se vislumbra um duelo final. Além de que tudo aponta para que esta seja a oportunidade de Sainz vencer com a Peugeot. A última oportunidade. Daí que, provavelmente, Peterhansel já terá recebido indicações de Bruno Famin, o director da equipa, para não atacar mais.

Mas há ainda um motivo para nervosismo. Esta quarta-feira o Rali Dakar volta a atravessar as temíveis dunas de Fiambalá, pequenas e tão encadeadas, que o risco de atascansos é sempre muito elevado.

Este ano, o calor parece não ser o problema e a chuva até deixa a areia mais pesada, mas nem por isso torna a progressão mais fácil. E quando algum imprevisto sucede, o cronómetro não pára de contar. Nessas alturas, 10 minutos podem ser uma eternidade. E a penalização sofrida por Sainz poderá fazer toda a diferença.

Nasser na lama

O Rali Dakar termina apenas no sábado e até lá, muita coisa pode acontecer. Mas Nasser Al-Attiyah é realista e embora declare que jamais baixará os braços, está ciente que a diferença relativamente a Sainz é demasiado longa…

Texto: Alexandre Correia
Fotos: Eric Vargiolu/DPPI/Red Bull Content Pool

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Vencedor do prólogo, que abriu a manhã, e do primeiro sector selectivo, que preencheu boa parte desta tarde, Ricardo Porém foi o grande protagonista da primeira das duas jornadas da Baja T.T. Reguengos de Monsaraz. Assim, o piloto da Ford Ranger sairá amanhã na frente para a etapa final e é o grande favorito à vitória.

Cumpridos cerca de 150 quilómetros em contra-relógio pelas pistas poeirentas do Alentejo, num eixo entre Monsaraz, Reguengos de Monsaraz e já as proximidades de Évora, a dupla Ricardo Porém/Hugo Magalhães lideram a segunda prova do Campeonato Nacional de Todo Terreno com uma vantagem que ninguém pode deixar de considerar bastante expressiva, sobretudo se atendermos à curta distância percorrida: são quatro minutos e dois segundos (precisamente 4m.01,95s.) de avanço sobre a Nissan Navara V8 de Hélder Oliveira e Pedro Pires de Lima, que quase no final da tarde lograram ascender ao segundo posto.

Oliveira, que ao arrancar de Reguengos de Monsaraz era terceiro, rodou quase sempre na terceira posição, perseguindo a Toyota Hilux de Alejandro Martins e José Marques. Estes, a apenas 500 metros do final do troço cronometrado desta tarde, com 141,07 quilómetros, sofreram um aparatoso despiste, que os deixou fora de prova, abrindo caminho para os seus adversários subirem ao segundo posto absoluto.

“Vínhamos muito animados, pois durante a manhã tínhamos optado por não arriscar no prólogo, mas à tarde atacámos e parecia que tudo estava a correr bem quando, já à vista do controlo de chegada capotámos”, contou à Todo Terreno o navegador de Alejandro Martins. Segundo José Marques, “a parte final repetia o prólogo e o que seria uma vantagem, pois já conhecíamos o percurso, resultou no inverso, atraiçoando-nos por essa confiança, passando muito depressa numa vala que tínhamos assinalado, mas cujo piso se degrada bastante com a passagem de todos os outros concorrentes”. Assim, prosseguiu o navegador, “o impacto da suspensão ao passarmos nessa vala foi demasiado violento e as rodas de trás levantaram-se do solo, desequilibrando a nossa Toyota Hilux, que acabou por se virar”. Deste acidente, “resultaram apenas danos para o carro, pois nós nada sofremos”, assegurou José Marques, completando que “foi o ponto final para a nossa corrida, onde amanhã seremos apenas espectadores…

E considerando os cerca de quatro minutos que a Ford Ranger de Ricardo Porém dispõe sobre a Nissan Navara de Hélder Oliveira, a pressão está toda do lado deste e não do comandante. Porque além de ambicionar alcançar Porém, Hélder Oliveira ainda tem de escapar à perseguição da Volkswagen Amarok de Pedro Ferreira/Valter Cardoso, que estão no terceiro posto, contando com um atraso de apenas dois minutos e 33 segundos sobre o piloto da Nissan.

E por seu turno, Pedro Ferreira está debaixo da mira do BMW X1 Proto de Alexandre e Rui Franco, que o seguem a apenas 15 segundos. E em quinto lugar, mas somente a dois segundos dos anteriores, seguem Paulo Rui Ferreira e Jorge Monteiro, cuja Toyota Hilux também dispõe de uma vantagem reduzida relativamente ao Kia Sportage da dupla que ocupa o sexto posto: Nuno Madeira e Luís Miguel Costa.

Amanhã, durante a manhã cumprem-se os 141 quilómetros finais desta Baja T.T. Reguengos de Monsaraz e logo veremos com se desenvolverá esta competição, que hoje aqueceu bastante…

Texto: Alexandre Correia
Fotos: Albano Loureiro

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Vencedor do prólogo, que abriu a manhã, e do primeiro sector selectivo, que preencheu boa parte desta tarde, Ricardo Porém foi o grande protagonista da primeira das duas jornadas da Baja T.T. Reguengos de Monsaraz. Assim, o piloto da Ford Ranger sairá amanhã na frente para a etapa final e é o grande favorito à vitória.

Cumpridos cerca de 150 quilómetros em contra-relógio pelas pistas poeirentas do Alentejo, num eixo entre Monsaraz, Reguengos de Monsaraz e já as proximidades de Évora, a dupla Ricardo Porém/Hugo Magalhães lideram a segunda prova do Campeonato Nacional de Todo Terreno com uma vantagem que ninguém pode deixar de considerar bastante expressiva, sobretudo se atendermos à curta distância percorrida: são quatro minutos e dois segundos (precisamente 4m.01,95s.) de avanço sobre a Nissan Navara V8 de Hélder Oliveira e Pedro Pires de Lima, que quase no final da tarde lograram ascender ao segundo posto.

Oliveira, que ao arrancar de Reguengos de Monsaraz era terceiro, rodou quase sempre na terceira posição, perseguindo a Toyota Hilux de Alejandro Martins e José Marques. Estes, a apenas 500 metros do final do troço cronometrado desta tarde, com 141,07 quilómetros, sofreram um aparatoso despiste, que os deixou fora de prova, abrindo caminho para os seus adversários subirem ao segundo posto absoluto.

“Vínhamos muito animados, pois durante a manhã tínhamos optado por não arriscar no prólogo, mas à tarde atacámos e parecia que tudo estava a correr bem quando, já à vista do controlo de chegada capotámos”, contou à Todo Terreno o navegador de Alejandro Martins. Segundo José Marques, “a parte final repetia o prólogo e o que seria uma vantagem, pois já conhecíamos o percurso, resultou no inverso, atraiçoando-nos por essa confiança, passando muito depressa numa vala que tínhamos assinalado, mas cujo piso se degrada bastante com a passagem de todos os outros concorrentes”. Assim, prosseguiu o navegador, “o impacto da suspensão ao passarmos nessa vala foi demasiado violento e as rodas de trás levantaram-se do solo, desequilibrando a nossa Toyota Hilux, que acabou por se virar”. Deste acidente, “resultaram apenas danos para o carro, pois nós nada sofremos”, assegurou José Marques, completando que “foi o ponto final para a nossa corrida, onde amanhã seremos apenas espectadores…

E considerando os cerca de quatro minutos que a Ford Ranger de Ricardo Porém dispõe sobre a Nissan Navara de Hélder Oliveira, a pressão está toda do lado deste e não do comandante. Porque além de ambicionar alcançar Porém, Hélder Oliveira ainda tem de escapar à perseguição da Volkswagen Amarok de Pedro Ferreira/Valter Cardoso, que estão no terceiro posto, contando com um atraso de apenas dois minutos e 33 segundos sobre o piloto da Nissan.

E por seu turno, Pedro Ferreira está debaixo da mira do BMW X1 Proto de Alexandre e Rui Franco, que o seguem a apenas 15 segundos. E em quinto lugar, mas somente a dois segundos dos anteriores, seguem Paulo Rui Ferreira e Jorge Monteiro, cuja Toyota Hilux também dispõe de uma vantagem reduzida relativamente ao Kia Sportage da dupla que ocupa o sexto posto: Nuno Madeira e Luís Miguel Costa.

Amanhã, durante a manhã cumprem-se os 141 quilómetros finais desta Baja T.T. Reguengos de Monsaraz e logo veremos com se desenvolverá esta competição, que hoje aqueceu bastante…

Texto: Alexandre Correia
Fotos: Albano Loureiro

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