Os Peugeot de Despres e Peterhansel
As dunas da 12ª segunda etapa foram traiçoeiras para Cyril Despres, que perdeu boa parte da sua vantagem

O QUE MAIS IRÁ ACONTECER NO SILK WAY?

In Desporto by Alexandre CorreiaLeave a Comment

Quando somente faltam duas etapas para se concluir a prova, é pertinente perguntar o que mais irá acontecer no Silk Way? Porque nesta tirada, com imensas dunas, boa parte dos protagonistas atrasou-se, com as suas viaturas enterradas na areia. Cyril Despres mantém-se no comando, mas não se livrou de um enorme susto, tendo cedido boa parte da vantagem que dispunha. E nos lugares atrás do comandante, há agora novos protagonistas…

O sector selectivo desta jornada do Silk Way, com 254,75 quilómetros, de uma distância total de 483,79 km, era considerado pelos organizadores como um dos dois mais difíceis e exigentes de todo o rali. Em causa estava sobretudo uma parte inicial de dunas encadeadas umas nas outras, bem como outro sector de dunas, enormes, na parte final. Pelo meio, os pilotos encontraram pistas rápidas e rolantes, mas também algumas dificuldades, ao nível da navegação.

E foram precisamente a areia e a navegação que mais dores de cabeça deram aos protagonistas. A cerca de meia centena de quilómetros da chegada do sector cronometrado, o Peugeot 3008 DKR de Cyril Despres ficou enterrado em areia e o piloto atrasou-se alguns minutos.

O alarme não soou durante muito tempo, pois não tardou a que comandante fosse socorrido pelo seu companheiro de equipa, Stéphane Peterhansel. Mas diz-se que um azar nunca vem só e depois de ter-se visto livre da areia, Despres percebeu que o sistema hidráulico da direcção do seu carro tinha deixado de funcionar. E teve de percorrer os derradeiros 45 km sem direcção assistida, o que implicou um esforço físico violento.

Depois de retomar o percurso, Despres não conseguiu manter um ritmo de andamento forte, atrasando-se ainda mais. Resultado: à chegada, a sua vantagem tinha descido para apenas 43 minutos e 22 segundos. O mais preocupante é que agora no segundo lugar está o buggy Geely SMG do chinês Han Wei, que à partida desta jornada era apenas o terceiro, com um atraso de 57m.29s.

Tudo isto num dia que ficou ainda marcado por novo triunfo do buggy Baicmotor do francês Christian Lavieille, que venceu por uma vantagem de somente 19 segundos sobre o chinês Liu Kun.

Bryce Menzies

Um erro de navegação e um “monumental” atascanso nas dunas fez com que Bryce Menzies se atrasasse substancialmente. De uma assentada, trocou o segundo pelo quarto lugar

Quando o 13 é mesmo o número do azar…

Pior ainda foi o que aconteceu ao norte-americano Bryce Menzies, que arrancou da segunda posição, mas nesta etapa não conseguiu melhor que o 13º lugar. E para Menzies, o número 13 foi mesmo o do azar, pois atrasou-se imenso e perdeu duas posições na classificação geral.

Primeiro, Menzies enganou-se no percurso e o cronómetro não parou a contagem. Depois, o Mini John Cooper Works ficou enterrado nas dunas e para se libertar da areia, a equipa precisou de algum tempo. O castigo foi ter sido ultrapassado pelos buggys de Han Wei e de Christian Lavieille, que ocupam agora a segunda e terceira posições absolutas.

Quando faltam disputar mais duas etapas, Han Wei e Christian Lavieille estão separados por uma diferença de somente três minutos e 15 segundos, o mantém vivo o duelo que ambos vêm travando desde há vários dias.

Fora desta luta parece ter ficado definitivamente Bryce Menzies, pois o piloto da Mini conta agora com perto de meia hora de atraso relativamente ao francês Christian Lavieille. E talvez Menzies tenha mesmo de conformar-se com o quarto lugar, por onde passou por diversas vezes no decurso das 12 etapas já cumpridas.

Atrás do norte-americano, mas já distante, com cerca de 25 minutos de atraso, segue posicionado o buggy Ford do italiano Eugenio Amos. Oitavo nesta etapa, Amos não teve o desempenho mais brilhante da sua prova, mas conseguiu melhorar um lugar na classificação, ascendendo ao quinto posto, onde conta desde já com mais de três minutos de vantagem.

Airat Mardeev Kamaz

Nos camiões, a supremacia dos Kamaz prevalece, mas nesta 12ª jornada o triunfo foi obtido por Airat Mardeev, que ainda assim foi socorrer o seu companheiro Dmitry Sotnikov, que ficou atascado nas duas

Duelo pela corrida dos camiões

Ao terminar a etapa em 16º, Dmitry Sotnikov poderá ter comprometido as chances de vencer o Silk Way Rally 2017. O jovem piloto da Kamaz ficou um quarto de hora enterrado nas dunas e isso significou um atraso significativo. Não só foi o bastante para descer do quinto para o sexto lugar absoluto, como ainda se colocou à mercê do seu companheiro de equipa Anton Shibalov, que segue-o com apenas três minutos e seis segundos de diferença.

Curiosamente, quem salvou Dmitry Sotnikov das dunas foi o vencedor da etapa, ao nível dos camiões, sublinhe-se. Airat Mardeev, mesmo perdendo alguns minutos a rebocar o Kamaz do seu colega, logrou ser o melhor dos camiões por mais de dois minutos de vantagem. E o mais impressionante é que foi o quinto veículo mais rápido, de modo absoluto. Assinale-se que à frente do Kamaz de Mardeev, colocaram-se quatro buggys: os Baicmotor de Christian Lavieille, que ganhou a etapa, e de Lu Binglong, quarto, e os Geely SMG dos chineses Liu Kun e Han Wei, respectivamente segundo e terceiro melhores da jornada.

Sexta-feira, a penúltima etapa anuncia já mais uma dose de emoções fortes. Pela frente, os pilotos vão ter de superar mais de duas centenas de quilómetros em dunas. E voltamos a perguntar: o que mais irá acontecer no Silk Way?

Texto: Alexandre Correia
Fotos: D.R.

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